A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus . . .
E amamos juntos . . . E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala . . .
E ela, corando, murmurou-me: “adeus”.
Uma noite. . . entreabriu-se um reposteiro . . .
E da alcova saía um cavalheiro
Inda beijando uma mulher sem véus . . .
Era eu . . . Era a pálida Teresa!
“Adeus” lhe disse conservando-a presa . . .
E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”
Passaram tempos . . . séculos de delírio
Prazeres divinais . . . gozos do Empíreo . . .
. . . Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse – “Voltarei! . . . descansa! . . ."
Ela, chorando mais que uma criança.
Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”
Quando voltei . . . era o palácio em festa! . . .
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! . . . Ela me olhou branca . . . surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa! . . .
E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”
Castro alves
Saturday, February 24, 2007
Tuesday, February 06, 2007
A indômita marionete
A indômita marionete
Agora eu estou sem hora,
despido do que enfim
em mim só era passante.
Agora sou esta mesa,
sou este banco, esta sala,
que têm a vida constante.
Sou na parede o retrato,
com moldura de aço,
guardado de traça e tempo.
Agora eu estou sem fim,
e brinco no fim da tarde
com a morte que não virá.
Mas morre a tarde em seu fim,
e aos passos eu me desfaço...
Aos poucos já não sou eu,
aos poucos estou sem mim.
Evaldo Balbino
Agora eu estou sem hora,
despido do que enfim
em mim só era passante.
Agora sou esta mesa,
sou este banco, esta sala,
que têm a vida constante.
Sou na parede o retrato,
com moldura de aço,
guardado de traça e tempo.
Agora eu estou sem fim,
e brinco no fim da tarde
com a morte que não virá.
Mas morre a tarde em seu fim,
e aos passos eu me desfaço...
Aos poucos já não sou eu,
aos poucos estou sem mim.
Evaldo Balbino
Friday, February 02, 2007
Soneto - Gregório de Matos
Soneto
Anjo no nome, Angélica na cara
Isso é ser flor, e Anjo juntamente
Ser Angélica flor, e Anjo florente
Em quem, se não em vós se uniformara?
Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente
Que por seu Deus, o não idolatrara?
Se como Anjo sois dos meus altares
Fôreis o meu custódio, e minha guarda
Livrara eu de diabólicos azares
Mas vejo, que tão bela, e tão galharda
Posto que os Anjos nunca dão pesares
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
Gregório de Matos
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